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Consultor OB - Arthur Gomes Rossetti

Dicas de limpeza e regulagens básicas do carburador Weber 460

Este carburador é conhecido também pelo código DMTB, que significa corpo duplo progressivo (com dois venturis), dividido em duas peças (corpo e tampa)

A partir deste ano, a inspeção técnica veicular da cidade de São Paulo passará a contemplar todos os veículos com placas do município, inclusive os equipados com carburador (produzidos antes de 1997). Isso significa que eles também deverão comparecer aos postos da Controlar, para análise e posterior aprovação no teste final de emissão dos gases poluentes. Com esta notícia, é esperado o aumento da demanda destes veículos mais antigos nas oficinas para revisão e adequação das regulagens necessárias, para posterior enquadramento na legislação vigente.

Sob orientação do integrante do Conselho Editorial do jornal Oficina Brasil e proprietário da Vicam Centro Automotivo, Amauri Cebrian Domingues Gimenes, utilizamos o modelo Weber 460 aplicado na família Ford CHT 1.6 álcool (Belina Scala e 4x4, Corcel II, Del Rey, Escort e Pampa) para exemplificarmos o procedimento padrão que deverá ser adotado pelos reparadores.

Este carburador é conhecido também pelo código DMTB, que significa corpo duplo progressivo (com dois venturis), dividido em duas peças (corpo e tampa).

Para o perfeito funcionamento do carburador, alguns itens vitais deverão estar com as calibragens corretas. Eles são:

- Gargulante: São peças montadas no carburador com orifícios calibrados para controle de vazão de combustível e que também são conhecidos por Gicleur (francês) e Jet (estados unidos e Europa)
- Respiro: São orifícios calibrados para o controle da vazão de ar
- Restrição calibrada: São orifícios calibrados, feitos na própria estrutura do carburador
- Difusor: É conhecido também por Venturi. Sua função é dosar a quantidade de ar aspirada pelo motor e aumentar a velocidade e depressão da mistura, a favorecer a pulverização do combustível
- Sistema de injeção: É conhecido também como sistema de aceleração rápida ou sistema da bomba de aceleração
- Marcha lenta acelerada: É também conhecida como avanço da aceleração e está relacionada ao acionamento do afogador.

Premissas para a manutenção em carburadores

Sempre que desmontá-lo troque todas as juntas, arruelas de fibra e anéis o’ring, pois a reutilização não garante a perfeita vedação.
Evite a utilização de descarbonizantes para sistemas de injeção eletrônica, pois a formulação é muito agressiva e poderá remover o banho de níquel químico no caso dos carburadores para motores a álcool. Utilize gasolina ou Thinner.

Evite a utilização de chaves de fenda para a remoção do carburador em relação ao coletor de admissão (quando grudado). Utilize um martelo de borracha e aplique leves golpes nas laterais, alternando os lados até soltá-lo. O mesmo vale para o momento de separar a tampa do corpo, pois a chave de fenda poderá ocasionar a remoção de material metálico, empenamento e possíveis problemas de vedação quando remontado.
Ao removê-lo do veículo, tampe imediatamente o coletor de admissão com um pano limpo, para evitar que peças adentrem as vias do cabeçote acidentalmente.

Antes de efetuar a desmontagem, drene o combustível da cuba virando-o de cabeça para baixo em cima de uma bacia.
Sempre tenha em mãos a tabela com as regulagens corretas do carburador em questão, pois sem os valores corretos o sucesso do serviço será comprometido.

Atenção redobrada nos modelos de corpo duplo, que possuem calibrações distintas e nem sempre os valores menores pertencem ao 1º estágio!
Evite desmontar e montar o carburador quando o motor ainda estiver muito quente, pois a remoção ou mergulho em gasolina para a limpeza poderá ocasionar empenamentos e trincas no corpo e tampa.

Passo a Passo
1º Com o veículo desligado e frio, remova as mangueiras de alimentação da cuba e partida a frio (quando motor a álcool), duto e filtro de ar, cabos do acelerador e afogador.

2º Remova o carburador do veículo, drene o combustível (como descrito anteriormente) e inicie a desmontagem pelos parafusos fenda da tampa, sobre uma mesa de madeira

Verifique também o pré-filtro de combustível, localizado a frente do niple de entrada, que poderá estar entupido

3º Verifique se há folgas excessivas nos eixos do 1º e 2º estágios. Se constatada a folga, o corpo deverá ser enviado a um especialista para embuchamento

4º Certifique-se de que o 2º estágio esteja livre de enroscos ao acioná-lo. Caso esteja travado, remova o conjunto eixo/borboleta e faça uma limpeza. Substitua os parafusos fenda da borboleta sempre! Após a limpeza, aplique jatos de desengripante spray na região de contato do eixo com o corpo do carburador

5º Verificar se a borboleta do 2º estágio permite o total fechamento, pois ela poderá permitir que o motor fique muito acelerado caso esteja ligeiramente aberta. Portanto, o parafuso de regulagem deve estar encostado no suporte que a aciona, porém sem exercer alavanca para abri-la!

6º Verificar o alojamento e substituir o diafragma da válvula de máxima. Dica: quando o diafragma fura, o veículo trabalha com excesso de combustível, afogado. Esta válvula faz parte do sistema suplementar do carburador e garante que haja combustível extra nos momentos de plena carga do motor.

Dica: Verifique sempre o comprimento das molas contidas nos kits de reparo, pois elas poderão estar mais longas ou curtas em relação à original. Não adianta querer alongá-la ou cortá-la, pois a tensão nunca será a mesma exigida pelo fabricante do carburador, o que poderá acarretar mau funcionamento do motor.

7º Verifique o diafragma do injetor de aceleração rápida, assim como os orifícios, que poderão estar entupidos. Utilize ar comprimido para a limpeza dos dutos.

Substitua também o injetor (bengala), que costuma apresentar oxidação com o passar do tempo e conseqüente dificuldade de injeção. Muito cuidado ao comprá-lo, pois existem vários ângulos e volumes diferentes.

No caso do modelo avaliado, o injetor correto possui o código Weber original, 40, com 7° de inclinação. Lembre-se que o jato deverá entrar em contato com a borboleta, com a finalidade de auxiliar a pulverização do combustível.

Dica: Caso uma das roscas dos parafusos que fixam o plate do injetor estiver espanado (ou alguma outra rosca), basta inserir outro parafuso de comprimento ligeiramente maior. Caso não o tenha em mãos, em último caso substitua a arruela de encosto por uma mais fina ou a elimine, para que o parafuso consiga avançar um pouco mais em direção ao corpo e atinja o restante da rosca que ainda poderá estar em boas condições.

8º Com a tabela de valores em mãos, confira as medidas dos gargulantes (giclês) de marcha lenta, principal, tubo misturador e respiro principal.

Obs: Este carburador possui dois giclês de marcha lenta, sendo que o do 1º estágio possui medida 75 e o do 2º estágio mede 55.

9º Substituir o anel o’ring do parafuso agulha da mistura. Obs: Cada veículo necessitará de uma regulagem específica, porém o valor padrão costuma ficar compreendido entre 3 a 4 voltas de abertura.

10º Após remover o pino da bóia faça uma comparação com o diâmetro do pino que veio no kit, pois ele poderá ser maior (ou menor em alguns casos). Se o diâmetro for diferente do correto, utilize o pino antigo. Esta é uma das maiores causas da quebra do olhal/torre de fixação.

Com as novas bóia, junta, agulha e sede, faça a medição da altura (da já citada bóia) em relação à junta, com a tampa na posição vertical. À distância para o carburador em questão é de 7,5 mm. Tanto o cálibre para altura de bóia, ou um paquímetro poderão ser utilizados para a aferição.

Caso o valor apresentado estiver incorreto, com o auxílio de um alicate de bico faça a alteração do ângulo da chapa localizada acima da esfera da agulha. Obs: A esfera da agulha existe para amortecer as oscilações da bóia quando o veículo transpassa irregularidades no solo, o que ocasionaria diminuição da vida útil da agulha.

11º Verifique as juntas quadradas localizadas atrás dos difusores do 1º e 2º estágio, que poderão estar em más condições.

Dica: Caso as extremidades da tampa ou do corpo estejam empenados, forre uma superfície de vidro ou mármore com lixa 140 e lixe ambas as peças (uma por vez) vagarosamente e sem muita força, em sentido “8”. Deste modo a peça será desbastada por igual. Obs: Esta dica deverá ser feita em último caso, salvo se houver a opção de substituir o corpo, a tampa ou ambos.

12º Após efetuar a desmontagem, limpeza e conferência dos componentes, faça a montagem sob a seguinte dica: Para facilitar o manuseio da peça, inicie a montagem dos componentes pela parte externa do corpo, seguida pela parte interna e por último a tampa.

13º Após montar o carburador, verifique a regulagem de abertura positiva da borboleta de aceleração do 1º estágio, pois quando o afogador for puxado, a borboleta inferior deverá abrir ligeiramente, cerca de 0,75 mm.

 

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