Oficina Brasil


Competência e equipamentos são aliados necessários para executar um serviço eficaz

Os defeitos mais difíceis de serem resolvidos exigem muita atenção do reparador, que deve utilizar todo o seu conhecimento técnico e equipamentos como o osciloscópio para identificar a causa do defeito

Por Laerte Rabelo

Nesta matéria iremos analisar dois casos que exigiram bastante perícia e competência e vamos apresentar os pontos de medições e análises dos sinais, utilizando-se para tanto do osciloscópio.

O objetivo é proporcionar ao reparador acesso aos novos métodos e técnicas aplicadas no diagnóstico automotivo e, desta forma, fornecer os fundamentos teóricos que irão desenvolver as competências necessárias para seu desempenho.

É do conhecimento de todos que os sintomas, que são as manifestações da falha podem ser vistos, ouvidos, sentidos ou medidos, este último, que será objeto de nosso estudo, é o mais difícil de ser identificado, pois exige do reparador uma maior atenção, bem como embasamento teórico e domínio das técnicas de utilização dos instrumentos de medição.

Audi Q7

O primeiro caso está relacionado a uma falha que deu bastante trabalho ao reparador, pois exigiu deste bastante paciência e, sobretudo, perspicácia na identificação do momento exato da manifestação da falha.

O proprietário do veículo Audi Q7, conforme mostra a figura 1, equipado com um motor V8 de 4200 cilindradas e injeção direta de combustível, figura 2, chegou à oficina relatando que ao pisar no acelerador para sair com o veículo, o motor desligava.

 

 

 

 

Inicialmente o reparador realizou, como de costume, vários testes nos sistemas de injeção e ignição eletrônica, utilizando-se do osciloscópio para visualizar os sinais dos sensores e atuadores. Colocou o scanner automotivo para coletar algum código de falha que indicasse algum componente defeituoso, assim como verificou se os parâmetros de funcionamento do motor estavam dentro dos valores preconizados pelo fabricante do veículo.

Após realizar todos os testes, o reparador não encontrou nenhuma anomalia nos sistemas analisados, desta forma, iniciou uma verificação nos demais sistemas eletroeletrônicos, por exemplo, o sistema de carga.

Com o auxílio de um multímetro automotivo, verificou o estado da bateria, medindo sua tensão de repouso, no momento da partida e com o motor em funcionamento, todos os valores estavam dentro do especificado pelo fabricante.

Entretanto, a fim de realizar uma análise mais minuciosa, que o caso exigia, e de posse de seu fiel companheiro de diagnósticos, o osciloscópio, verificou o sinal de saída do alternador e, para sua surpresa e alegria, conseguiu identificar o causador da falha do veículo, conforme podemos observar na figura 3.

Figura 3

O reparador observou que, quando o motor chegava a aproximadamente 3000 RPM, apareciam esses picos de tensão, o que provavelmente estaria interferindo no funcionamento regular do sistema de gerenciamento do motor e desta forma, disparando alguma estratégia de emergência desligando o motor para protegê-lo contra danos mais graves.

Após a substituição do alternador, o veículo voltou ao funcionamento normal. A figura 4 exibe o sinal de saída do novo alternador.

Figura 4

Renegade

O segundo caso a ser analisado diz respeito a um Jeep Renegade, figura 5, que veio de outra oficina, onde após uma colisão teve que ser realizado um reparo no motor. O cliente relata que após o reparo o veículo apresentou ruídos tipo “castanhado” nas acelerações, expelia muita fumaça e depois de pouco tempo o motor desligava.

Figura 5

De posse destas informações, o reparador analisou com o scanner se havia algum código de falha, bem como os parâmetros do sistema de injeção e ignição eletrônica. Nada encontrando de errado nestes sistemas, teve que recorrer, novamente, ao osciloscópio para ‘’ enxergar’’ os que os outros equipamentos não conseguiram ‘’ ver’’. Ao visualizar o sinal proveniente do sensor de rotação, viu facilmente a origem de toda a falha manifestada pelo veículo, conforme mostra a figura 6.

Observando a figura 6, vemos que há uma falha no sinal, identificando que havia danos na roda fônica, provenientes provavelmente da colisão e que não foram identificados pelo reparador que fez a manutenção no motor. Desta forma para solucionar o inconveniente, foi substituída a roda fônica e assim foi restabelecido o funcionamento regular e eficiente do veículo.

Figura 6

A figura 7 exibe, a roda fônica danificada, após a colisão.

Figura 7

A figura 8 exibe o sinal após a substituição da roda fônica.

Figura 8

Portanto, vimos ao analisar os casos explorados nesta matéria, que a oficina que quer se manter ‘’viva’’ diante de um mercado com veículos cada vez mais tecnológicos e com uma eletrônica embarcada cada vez mais presente, deve ter como foco um bom investimento em capacitação de mão de obra qualificada, assim como em instrumentos e equipamentos para lograr êxito na resolução dos inconvenientes e a partir daí, se destacar diante das demais, ou de outra forma, fechar as portas se assim não proceder.

Agradecimentos ao reparador Daulio, proprietário da Montese Autocenter, onde foram realizados os testes e os diagnósticos mostrados nesta matéria.

Até a próxima!

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